A User Experience marcará a adoção das carteiras e, para melhorá-la, a chave está na implementação da gamificação, redação UX e interações sem contato

As carteiras digitais têm desempenhado um papel importante na estrutura de pagamento em todo o mundo. A sua facilidade de uso tem permitido esse efeito, ao mesmo tempo em que acirra a concorrência no mercado, marcando uma necessidade urgente de atualização constante no design e nas funções.

Nesse ambiente, a experiência do cliente (UX, na sigla para aser experience) pode mudar a percepção positiva ou negativa de um consumidor que usa uma carteira eletrônica ao recriar a forma como as pessoas usam e interagem com uma plataforma, sempre buscando enriquecer esse contato.

Uma arquitetura UX ideal pode fazer com que uma carteira continue a ganhar novos usuários, por isso é essencial explorar as tendências que permitirão sua evolução e seu alcance sustentável no longo prazo.

Gamificação para uma maior participação do usuário

Embora nenhum consenso tenha sido alcançado em relação ao conceito de gamificação, a consultoria de tecnologia Gartner nos apresenta uma definição muito simples e concisa: “o uso da mecânica do jogo e do design de experiência para envolver e motivar digitalmente as pessoas a atingirem seus objetivos”.

De maneira geral, a gamificação utiliza elementos lúdicos em espaços não necessariamente relacionados ao jogo, gerando assim uma maior participação do usuário.

Aplicado ao caso das carteiras digitais, o conceito está relacionado a programas de recompensa ou fidelidade que proporcionam vantagens significativas aos usuários; e não necessariamente troféus ou decorações digitais que não geram qualquer riqueza cumulativa para o cliente.

Em vez disso, pode se refletir no rastreamento de despesas e investimentos para os comerciantes, oferecendo-lhes créditos personalizados ou prometendo uma melhor condição de poupança, se o número de depósitos aumentar.

No longo prazo, os clientes são fidelizados, obtendo-se deles dados valiosos que nos permitem conhecê-los melhor e oferecer-lhes produtos personalizados. A gamificação também ajuda a trazer produtos de crédito para grupos geralmente marginalizados do sistema financeiro, como trabalhadores autônomos, jovens ou idosos.

Um ponto a avaliar antes de implementar uma estratégia de gamificação é que o ambiente financeiro costuma ser um espaço sensível e sério para seus usuários. Em outras palavras, ninguém quer ter a impressão que suas economias são um “jogo”.

Por isso, a área de inovação e desenvolvimento deve decidir quais elementos da UX serão gamificados, sem deixar de lado a proteção de dados e a agilidade nas transações.

UX Writing: facilitar a linguagem do aplicativo

Outra tendência da user experience para 2021 é a UX Writing, ou seja,  a elaboração dos textos que aparecem na interface da carteira, como botões, funcionalidades, mensagens de erro e informações em geral.

O objetivo prático da redação de UX é facilitar a linguagem do aplicativo, orientando o usuário em sua navegação por meio de uma interface intuitiva, o que se consegue com um conhecimento profundo do cliente.

No ambiente financeiro, o jargão ou a terminologia específico do setor pode ser opresso ou intimidante, o que pode representar uma séria ameaça à usabilidade da carteira. Nesse caso, a UX Writing transforma esse possível obstáculo em um produto digital mais criativo em termos de comunicação, proporcionando compreensão e senso de clareza financeira.

Como as carteiras são a nova conexão principal em sistemas de pagamento, muitas vezes, nos deparamos com processos de alto atrito, com várias etapas para validação. Uma UX Writing focada neste campo – que pode muito bem ser trabalhada em conjunto com o design do produto – permitirá que o processo seja menos complicado e com navegação em apenas alguns passos.

Lembre-se de que textos transparentes permitirão que os usuários tomem melhores decisões financeiras, sem a necessidade de aprender a terminologia ou, no pior dos casos, acabem desinstalando a carteira.

Interações sem contato

As novas necessidades de distanciamento social exigem funções de pagamento remoto. A carteira digital é um produto que está em conformidade com essas novas diretrizes, permitindo o uso da câmera para processar um pagamento ou cobrança através de um QR code.

A vantagem do código de resposta rápida (QR) é que ele pode ser escaneado de qualquer superfície plana, como papel, plástico e até mesmo de outra tela.

O QR code é um método de pagamento sem contato muito fácil de usar, já que você só precisa do seu celular na mão, ou seja, cartões físicos ou credenciais de identidade não são mais necessários para concluir a transação.

E o melhor de tudo é que esse fato não diminui a segurança da função, uma vez que todas as informações são criptografadas e os clientes não precisam preencher nenhum dado, exceto o valor a ser cobrado ou pago. Em alguns casos, a transação pode até ser “tokenizada”, o que significa que os detalhes do cliente não são armazenados com o comerciante.

Andy Tran