Com a tendência global de avançar em direção a um quadro de finanças abertas, exploramos os benefícios tanto para as instituições financeiras quanto para os consumidores.

Na América Latina, os ventos regulatórios começam a se formar em favor de um sistema financeiro mais interconectado, que está impulsionando mudanças aceleradas no setor, a fim de permanecer em vigor em meio a um cenário de alta concorrência.

Inicialmente, o open banking foi o motor dessa tendência. Essa nova forma de banco está mudando as regras do jogo financeiro, pois incentiva não só a concorrência, como também a formação de alianças entre diferentes atores do ecossistema para criar serviços de valor agregado para os clientes finais.

Agora, a abordagem de um mercado ainda mais interconectado – o das finanças abertas – está sendo colocada como o estágio evolutivo dessa prática.

“A diferença é que [o financiamento aberto] incorpora todos os setores da economia”, explica José María Sobrevia, diretor- executivo comercial & digital da Afirme Grupo Financiero. “Não só os bancos regularizados e regulamentados, mas é uma abertura total para fintechs e outras empresas que poderiam consumir essas informações atendendo a determinadas normas.”

Embora as finanças abertas ainda não tenham um marco legal na América Latina, é uma grande oportunidade para as instituições financeiras se colocarem na primeira fila como pioneiras no movimento, graças a uma visão avançada de produtos que podem dar uma vantagem competitiva ao adotante.

O open finance é o próximo passo no quadro do open banking, abrindo o mercado também para fintechs, mas não só para elas, pois você pode começar a agregar outros atores, como a Netflix ou empresas de tecnologia que podem se conectar e ter um maior conhecimento dos clientes”, explica Néstor Darvy Archuleta Barrera, diretor de novas tecnologias da Afirme Grupo Financiero.

Financiamento aberto: vantagens para instituições financeiras

Os dados gerados a partir das finanças abertas é a unidade mínima de desenvolvimento para este cenário e, portanto, o principal para sua decolagem.

Apesar disso, a Afirme alerta que, embora com financiamento aberto a exposição de informações seja a chave para a operação, a ação mais relevante é o desenvolvimento de modelos de negócios.

“Vamos lembrar que as APIs não serão lucrativas por causa da quantidade de consumo, mas é uma oportunidade para o banco começar a procurar o ‘para quê’ das informações“, diz Archuleta.

Nessa linha, a abertura de APIs atua como uma porta de entrada para um mercado onde todos os players oferecem produtos e serviços mais úteis aos seus clientes, gerando expressões de uso orgânico, como empréstimos ou contas de poupança mais adaptadas à realidade e necessidade dos usuários.

Seus clientes atuais verão que seu banco está fornecendo serviços digitais inovadores, apostando em uma ação diferenciada em comparação com o banco tradicional.

Onde está a rentabilidade? Nos produtos que você pode oferecer“, diz Sobrevia. “Por exemplo, consolidações. Estou vendo que você tem uma hipoteca em tal banco e de repente você recebe uma proposta de substituição hipotecária, traga a hipoteca para o Banco Afirme.”

Finanças abertas: vantagens para os usuários

Um grande desafio para os bancos é oferecer um serviço personalizado aos clientes. Nesse sentido, as finanças abertas melhorarão a experiência do usuário.

Com isso, explica Archuleta, o banco começará a conhecer os hábitos dos usuários: como estão gastando, onde mais têm contas, que tipo de créditos eles têm, entre outros aspectos. Essas ofertas pontuais podem ajudar em uma estratégia de cross-selling.

“Por exemplo, para o banco é ter um MPF, uma gestão de finanças pessoais, que sabe onde o cliente gasta e o que ele faz, podendo recomendar restaurantes, viagens ou qualquer coisa, dependendo do que o banco está vendo naquele lago de dados de transações”, diz Sobrevia.

“É por isso que finanças abertas são um integrador de vários setores, além das finanças.”

Há também outras vantagens para os clientes do banco. Ao coletar dados de bancos e terceiros, por exemplo, é possível ter uma visão completa das finanças pessoais.

Nesse sentido, os resultados permitirão que os consumidores otimizem sua posição financeira usando ferramentas de gestão de finanças pessoais, o que é altamente valioso para aqueles com menos conhecimento financeiro.

Isso vai simplificar a vida [dos clientes], porque eles não vão ter que sair por aí colocando suas senhas, fazendo login em um banco, depois colocando senha e fazendo login em outro banco”, explica Sobrevia. “Você gosta de ter o seu superapp, você entra e tem todos os bancos, e esse superapp faz as propostas para você.”

Essas funcionalidades estão disponíveis para os bancos atuais, com a tecnologia atual. Alcançar esse tipo de serviço digital é uma questão de adotar o pensamento futurista e começar a criar novos modelos.

“O objetivo do banco vai além de compartilhar suas APIs ou criá-las para expor dados a redes externas”, diz Archuleta. “Se apostarmos em uma mudança de mentalidade e começarmos a construir o processo a partir de agora, os bancos estarão melhor posicionados.”

Andy Tran