Os bancos devem aproveitar as vantagens dos novos recursos da era do open finance para impulsionar uma melhoria contínua das carteiras digitais

Por Wagner Martin, Director of Business Development da Veritran Brasil

Em meio a uma aceleração sem precedentes no uso de meios de pagamento digital, tornou-se imperativo oferecer uma carteira digital para clientes bancários.

A competição em serviços financeiros agora está focada no desenvolvimento de aplicativos convenientes com uma excelente experiência do usuário. Em pouco tempo, uma UX de primeira linha será necessária, mas somente ela não será suficiente: as wallets mais populares serão aquelas que oferecerem as melhores funcionalidades adicionais aos seus consumidores.

Essa tendência força os bancos a desenvolverem suas carteiras digitais e se empenharem para oferecer cada vez mais benefícios e experiências. E, na era das finanças abertas, os bancos devem aproveitar os novos recursos de que dispõem para que suas carteiras digitais estejam um passo à frente, respondendo às necessidades dos usuários.

Novas funcionalidades para as carteiras digitais

Como uma carteira digital pode ser mais prática e funcional para o usuário? Oferecendo ferramentas como gerenciamento de pagamento invisível, consultoria de finanças pessoais, maior personalização – e até mesmo – ideias fora das finanças. E, por trás de todas essas habilidades, estão os dados: a nova mina de ouro.

A gestão de pagamentos invisíveis agrupa qualquer transação que não envolva um meio de pagamento tradicional, como cartões de crédito ou débito. Ou seja, por exemplo, um serviço ou produto é debitado da conta do cliente após a prestação do serviço, sem adicionar dados do usuário várias vezes ou fornecer um meio físico de pagamento. Isso já é feito pelos aplicativos de transporte no momento que – uma vez autorizados – cobram automaticamente no final da viagem. Mas os bancos podem assumir a liderança nessa tecnologia e massificar os pagamentos sem atrito.

Além disso, outra funcionalidade que pode ser adicionada às carteiras é a de aconselhamento. O banco, ao resguardar as informações de seus clientes, pode promover sua saúde financeira e recomendar se a compra a prazo é adequada ou não, por exemplo. Você pode até organizar um saldo semanal ou mensal de seu dinheiro para que o usuário possa reconhecer seus hábitos de consumo ou principais despesas.

Assim, a carteira digital torna-se um gerenciador de finanças pessoais (PFM, na sigla em inglês), oferecendo valor único para o usuário.

Essas informações também podem ser utilizadas pelo banco para oferecer empréstimos e propor parcelas personalizadas      ou também para apresentar alternativas de investimento. Tudo isso a partir de uma carteira digital que reconhece e responde de acordo com os dados do cliente, de forma amigável, atrativa e intuitiva.

Existem também mais ferramentas para melhorar a personalização da carteira: por exemplo, a possibilidade de acessar a localização do aplicativo permite dar sugestões relevantes. Esta funcionalidade deve responder de forma inteligente ao que o usuário buscaria, caso estivesse em outro país ou cidade.

Agora vamos pensar fora da caixa. Imaginemos uma carteira digital que ofereça cursos de idiomas, pois reconhece que seu usuário está em um país que fala outro idioma e, além disso, vende um manual de turismo. Ou que coloque ao seu alcance cursos online sobre investimentos, caso tenha interesse em conhecer as oportunidades que o mercado oferece para sua economia.

O uso sofisticado de dados forma a base de todas essas estratégias. Trata-se de combinar as informações que temos sobre os clientes e as obtidas com o seu consentimento nas alianças abertas de financiamento com terceiros, com ferramentas de análise avançadas.

Dessa forma, a wallet começa a dar passos para se tornar um super     app; que transcende os pagamentos digitais e é capaz de oferecer produtos que o cliente encontrava anteriormente em dois ou mais aplicativos separados.

UX e segurança: chaves para uma carteira digital de sucesso

As ferramentas e funcionalidades mencionadas ajudarão a elevar ainda mais a consideração do seu aplicativo nas mentes dos clientes bancários. Mas você deve antes se lembrar que a chave é ter uma base de UX sólida e segurança na carteira.

E como isso pode ser alcançado? Para começar, o cliente deve ser colocado no centro do desenvolvimento da aplicação para oferecer a melhor experiência do usuário desde o momento do onboarding, que deve ser 100% digital.

As carteiras protegem o dinheiro dos clientes, portanto, a segurança é fundamental. Nesse campo, a biometria continua ocupando o lugar central como uma ferramenta de autenticação. Esta tecnologia, que utiliza as características físicas do cliente para confirmar a sua autenticidade, segue      apresentando      progressos. Em poucos anos, pode acontecer que, com a biometria da íris, nos identifiquemos com apenas um olhar, ao mesmo tempo que reduzimos a quase zero a possibilidade de fraudes.

Neste contexto, podemos concluir que as wallets são a porta de entrada dos bancos para agregar valor à sua proposta digital, sempre observando as tendências do mercado e, com o aval dos clientes, processando os seus dados e comportamentos para um atendimento personalizado.

O futuro das carteiras vai além das transações e os bancos devem assumir essa liderança.

Andy Tran