Por sua complexidade, a hipoteca é o produto digitalizado mais recentemente e o uso de tecnologias pode facilitar sua migração

Durante anos, a hipoteca se desenvolveu como um produto financeiro de alta complexidade e acesso limitado, pois compromete contratos extensos e grandes recursos de clientes e bancos.

No entanto, na era da digitalização e simplificação de processos, o crédito à habitação está      sofrendo      alterações que o tornarão mais flexível, rápido e personalizado.

Os maiores avanços no desenvolvimento de hipotecas 100% virtuais são exibidos por países como os Estados Unidos e Espanha, onde as novas gerações estão mostrando uma preferência por experiências online: o usuário médio que escolhe hipotecas digitais têm entre 30 e 40 anos.

Além deles, a América Latina está começando a dar passos nessa direção, com os bancos mexicanos explorando processos para trazer suas hipotecas para canais alternativos e entidades como o banco peruano BCP, que visa a chegar a um esquema de aprovação em 24 horas através do seu aplicativo móvel.

Neste sentido, uma das lições mais significativas tiradas da experiência europeia é que, com o auxílio das novas tecnologias, é possível oferecer um produto diferenciado e mais inclusivo.

Enquanto isso ocorre, as instituições financeiras enfrentarão desafios como agilizar todo o processo e melhorar a experiência do usuário para que a originação seja feita online, ao mesmo tempo que cumprem os requisitos regulamentares para a venda de imóveis, como a celebração de contratos ou reconhecimento de firma de documentos.

Soluções como automação de processos robóticos (RPA, na sigla em inglês), aprendizado de máquina (ML, na sigla em inglês) e inteligência artificial (IA) estão ajudando a digitalizar e a simplificar esses processos, mesmo quando uma avaliação é necessária para a prevenção de fraudes.

Personalização para evitar superendividamento

De forma geral, se o cliente adquirir um produto mais adaptado às suas possibilidades de pagamento, ele terá mais condições de evitar o superendividamento e cumprir seus compromissos.

Na seção de personalização, algumas estratégias e tecnologias promovidas são ferramentas de recomendação e seleção de crédito, como plataformas que comparam a oferta das instituições e permitem ao cliente escolher a melhor opção de acordo com as suas necessidades, meios e preferências.

Após responder a uma série de perguntas simples (tipo de imóvel a ser adquirido, prazo esperado para o pagamento do imóvel, recursos para cobrir o inicial), são apresentadas opções sob medida.

Os clientes podem seguir  um caminho autodirigido de forma virtual ou buscar o acompanhamento de consultores nas agências.

Existem também ferramentas que analisam a capacidade de crédito dos potenciais devedores, a sua documentação e a capacidade de pagamento e recomendam uma ou outra entidade. Os bancos devem estar atentos ao desenvolvimento dessas soluções, a fim de estabelecer alianças eficazes.

Coleta e análise de dados para entrega de créditos precisos

O formato tradicional de crédito opera sob a tomada de dados apresentados em documentos físicos pelo cliente, e a análise destes, calculando uma relação dívida / rendimento.

Graças aos avanços no aprendizado de máquina e nas técnicas de reconhecimento e aprendizagem adaptativa para replicar tarefas atualmente realizadas por humanos, é possível agilizar esses processos. Os credores poderão usar tecnologias cada vez mais poderosas para se concentrar melhor na avaliação da capacidade de pagamento dos clientes.

As opções de autoatendimento já estão começando a substituir algumas tarefas de vendas e processamento, como coleta de documentos, seleção de produtos e rastreamento do status da concessão primeiro, status do pagamento depois.

Um dos casos de uso mais relevantes é indexar documentos para saber com antecedência quais informações eles contêm (por exemplo, o documento X é um recibo de pagamento e deve conter campos de dados relacionados à receita).

Da mesma forma, essas tecnologias também permitem destacar as partes mais relevantes para o processador, que pode passar mais tempo reunindo informações valiosas para a concessão do crédito.

Desta forma, as entidades devem revisar quais tarefas manuais podem automatizar, considerando as tecnologias disponíveis e emergentes.

Investimento em tecnologia e recursos humanos

Para oferecer hipotecas digitais eficientes, você deve considerar investir no desenvolvimento de tecnologia. Neste campo, os sistemas modernos podem maximizar o valor do talento humano, melhorando a produtividade e a eficiência dos colaboradores, afastando-os de tarefas repetitivas e colocando-os em partes da cadeia onde são realmente necessários.

Também é importante considerar que a complexidade desses produtos justifica a inclusão de aconselhamento físico – ou por telefone – disponível em algumas partes do processo. Algumas formalidades poderão ser resolvidas através de assistentes virtuais, mesmo com soluções de linguagem natural.

Embora a hipoteca digital tenha um sentido de autoatendimento, o recurso humano ainda terá um papel relevante para os usuários que demandam aconselhamento, interação e confiança que transcendem as telas.

Andy Tran