A instituição adere a esta tendência global destinada a facilitar os pagamentos

 

O Brasil está prestes a se tornar um dos primeiros países sul-americanos a lançar sua moeda digital soberana, com o que se espera facilitar os pagamentos eletrônicos, tanto locais quanto transfronteiriços, e reduzir o uso de dinheiro em espécie.

No fim de maio, o economista do Banco Central do Brasil (BCB), Fábio Araújo, explicou que o cronograma inicial previa os primeiros testes ainda em 2022, mas o programação foi atrasou. Em 2023 e, em boa parte de 2024, o Banco Central espera ter os pilotos rodando e as condições de ter certeza do lançamento da moeda digital na segunda metade de 2024.

As CBDCs são uma evolução digital e criptográfica do dinheiro fiduciário, tais como o real brasileiro, o peso argentino ou o dólar. Ao contrário do Bitcoin ou outras criptomoedas descentralizadas, estes são ativos emitidos pelos estados e seus órgãos de supervisão e, portanto, são supervisionados e endossados por eles. Ele será apoiado pelas reservas do país e procurará estabelecer uma paridade de 1 para 1 com o real físico.

O BCB disse que a implementação de sua criptomoeda irá se concentrar nas transações de pagamento no comércio físico e on-line, melhorar as transferências internacionais e reduzir o uso de dinheiro em espécie. Também esperam que gere novos modelos de serviços e aumente a inclusão financeira digital.

Além disso,      dada a importância do projeto, o BCB já disse que eles levarão o tempo necessário para alcançar um desenvolvimento sustentável e útil, em linha com os padrões de outros bancos centrais em todo o mundo.

Para este fim, o emissor reuniu várias empresas financeiras, plataformas financeiras descentralizadas (DeFi), bancos tradicionais, fintechs e bolsas de criptomoedas em um espaço comum para avaliar os possíveis usos de sua CBDC e sua viabilidade tecnológica.

Este ambiente experimental é o LIFT Challenge Real Digital. Até agora, nove projetos foram selecionados para acompanhamento. Entre os participantes estão Visa, Itaú, Banco Santander, Bitcoin Market e a federação bancária brasileira, Febraban.

Por que moedas digitais?

A adoção de pagamentos eletrônicos está crescendo globalmente. Isto forçou os supervisores a acompanharem as novas tendências.

Para muitos, as CBDCs são a resposta dos bancos centrais ao boom das criptomoedas como Bitcoin e Ether, para fornecer tokens para facilitar as transações em ambientes virtuais.

Assim, moedas digitais soberanas poderão substituir suas contrapartes físicas como meio de pagamento e de armazenamento de valor, em carteiras ou mesmo no metaverso.

No longo prazo, os reguladores também estão apostando que a modernização do dinheiro levará a novos produtos, serviços e modelos de negócios, que continuam a atrair a atenção dos usuários no sistema.

A principal vantagem desses criptoativos soberanos reside em sua garantia de solidez, ligada à moeda fiat (fiduciária) de cada país, garantindo sua legitimidade de uso, negociação e armazenamento.

Eles também oferecem um benefício muito claro para os bancos. Devido à falta de regulamentação das criptomoedas descentralizadas – parte de seu core- elas são ativos altamente voláteis que dificultam a sua utilização pelos agentes tradicionais como meio de pagamento ou como um porto seguro. Este não seria o caso da Central Bank Digital Currency.

A tecnologia subjacente das CBDCs, a DLT (distributed ledger technology, em inglês) – incluindo as que se encontram na blockchain – permite aos bancos centrais monitorar detalhadamente as transações financeiras e as participações em dinheiro digital.

O dinheiro programável permite registros mais confiáveis dos movimentos de dinheiro, pois não são contabilizadas moedas ou cédulas, mas movimentos eletrônicos que deixam um rastro indelével nos registros que não podem ser alterados.

CBDC ao redor do mundo

Um estudo da PwC afirma que 80% dos bancos centrais em todo o mundo estão considerando lançar sua própria moeda digital ou já tem uma. O primeiro país a emitir CBDC foi as Bahamas, que introduziu o Sand Dollar em 2020 para ser colocado à disposição de todos os seus cidadãos.

No mesmo ano, o Banco Popular da China começou a emitir o yuan digital, testando-o em ambientes fechados. Em janeiro de 2022, acelerou os experimentos, lançando um piloto de carteiras digitais. Prevê-se que esta moeda seja inicialmente utilizada pelos bancos comerciais, para que o público possa transferir dinheiro entre suas contas bancárias ou carteiras digitais.

O Brasil não é o único país das Américas que planeja emitir criptomoedas. Na verdade, o Banco Central do Caribe já está emitindo DCash, que circula em San Cristóbal y Nieves, Antigua e Barbuda, Santa Lúcia e Granada. Sua grande peculiaridade é que é a única moeda baseada ema blockchain que pode ser usada em várias nações.

Recentemente, o presidente da Argentina emitiu um decreto para facilitar a emissão de ativos virtuais. Este poderia ser um passo preliminar para o desenvolvimento de sua própria moeda digital. México, Peru e Honduras também anteciparam que irão adentrar à onda de CBDC.

Enquanto isso, a União Europeia ainda está em fase preliminar sem uma decisão firme sobre os benefícios de um euro digital.

No entanto, não há dúvida de que o futuro do dinheiro será digital e, portanto, também o futuro dos bancos.

Andy Tran