Estes componentes permitem projetar conexões entre as instituições financeiras e outras indústrias, do varejo à tecnologia, para chegar ao consumidor no momento certo: a compra.

A nova era exige pensar fora da caixa para conceber formas inovadoras de prestação de serviços a qualquer hora e em qualquer lugar. Neste contexto, as APIs são a maneira ideal de evoluir a atividade bancária e trazê-la para o chão de fábrica.

Através do fornecimento de interfaces de programação de aplicações e das conexões que criam entre diferentes softwares, os bancos podem ocupar um espaço proeminente em outras plataformas comerciais para facilitar o processo de compra de forma oportuna, sem complicar a experiência do usuário.

Desta forma, bancos e varejistas podem integrar e responder às demandas dos consumidores, ao mesmo tempo em que aumentam seus indicadores de vendas.

Para fazer isso, eles precisam apostar no Banking as a Service (BaaS) e em modelos financeiros incorporados que lhes permitam hospedar seus produtos em plataformas de terceiros. Isto não apenas expande a presença do banco, mas também sua perspectiva comercial, pois pode até mesmo atender a clientes de outras instituições que, por exemplo, utilizam sua tecnologia para processar pagamentos.

Estas são também modalidades que ajudam a atrair novos usuários com características demográficas muito diversas, que são atraídos por ofertas financeiras fornecidas por cadeias de varejo de sua escolha. Um caso em questão que ilustra essas explorações é o pagamento parcelado dentro de modelos de Buy Now Pay Later (BNPL), aprovado no check-out, como os oferecidos pela fintech Sezzle, dos Estados Unidos, e que, recentemente, desembarcou no Brasil oferecendo seu produto BNPL através da plataforma de comércio eletrônico Nuvemshop.

As possibilidades de parcerias e jogos são tão abrangentes quanto o potencial de criação de APIs.

EVOLUÇÃO DO BANCO COMO SERVIÇO (BAAS)

A atividade bancária como serviço é a viabilização de produtos financeiros em plataformas de outras empresas através de APIs. Desta forma, uma empresa fora do ecossistema bancário pode integrar produtos exclusivos do banco em seu website ou aplicação, utilizando as licenças e tecnologias do banco fornecedor.

Esta tecnologia nos permite, por exemplo, fazer pagamentos usando nossa impressão digital em nosso telefone celular, comprar assinaturas digitais sem adicionar métodos de pagamento a cada vez ou fazer pedidos em um comércio eletrônico sem carregar informações do usuário para cada transação.

É também a tecnologia que permite ao banco colombiano Davivienda emitir cartões para a plataforma RappiPay ou à bigtech Apple lançar um Apple Card em parceria com a Goldman Sachs nos Estados Unidos.

Alianças como estas têm um impacto positivo sobre os bancos, pois se expandem além de suas agências e canais digitais. E também para as empresas, pois elas podem agregar produtos financeiros para seus usuários em suas plataformas, impedindo que os usuários entrem e saiam de sua interface e arriscando-se que percam o interesse na transação que haviam iniciado.

FINANÇAS INTEGRADAS

Estamos ante uma mudança de paradigma financeiro, na qual os varejistas se tornarão cada vez mais bancos e os bancos também se tornarão cada vez mais varejistas por meio de estratégias de finanças incorporadas.

Este compromisso ajuda a ampliar o ecossistema de influência dos bancos, destacando a oportunidade de ser fornecedor não só de contas e empréstimos, mas também de tecnologia.

De acordo com uma pesquisa com executivos bancários em todo o mundo, 45% deles dizem que querem transformar seus modelos de negócios em “verdadeiros ecossistemas digitais”, oferecendo seus produtos em outras plataformas.

Nesta linha, os gigantes BBVA e Uber habilitaram uma conta digital ligada a um cartão de débito internacional no México, marcando o primeiro produto do banco operado a partir de um aplicativo de terceiros.

Desta forma, os motoristas podem receber seus pagamentos em minutos, além de ganhar recompensas pela compra de combustível, impulsionando o uso do cartão e as vendas em serviços de varejo.

A economia API ainda não atingiu seu potencial máximo. Ainda há muitos moldes a serem quebrados e parcerias a serem criadas. Com vontade organizacional e tecnologia de ponta, os bancos podem fazer novos aliados comerciais para ajudá-los a servir melhor os consumidores.

Andy Tran