Saber onde se encontra um usuário de banco digital ajuda a contextualizar a linguagem usada para se comunicar, enquanto sua atividade se mantém protegida.

Para melhorar a personalização de produtos e serviços financeiros, a funcionalidade de geolocalização em aplicativos bancários está surgindo como uma ferramenta valiosa para coletar informações mais específicas e contextualizadas culturalmente.

A reputação das instituições financeiras foi fortalecida, basicamente, por uma estratégia de ouvir ativamente seus clientes durante a pandemia, de acordo com relatório do American Banker, veículo de comunicação especializado em finanças.

Os bancos devem obter esse lucro e continuar a construir laços de confiança e segurança. Nesse sentido, a geolocalização permite gerar uma proximidade com os usuários, por meio da compreensão de suas circunstâncias, das características de seus ambientes e de seus comportamentos e hábitos.

Os bancos do futuro precisam se conectar e ser relevantes para o dia a dia das pessoas. Em muitos casos, isto exigirá parcerias com fornecedores de tecnologia, sempre tendo em mente as configurações de privacidade dos clientes e as preferências de compartilhamento de dados.

A ideia subjacente é agregar valor à experiência e fazer com que o banco se torne um assessor ou consultor de confiança, marcando uma posição diferencial em um ambiente competitivo.

Esta função provavelmente continuará a se expandir na América Latina nos próximos anos, mas será necessário que os bancos responsabilizem-se pelas informações obtidas e as processem para convertê-las em produtos e transações de acordo com a realidade de cada cliente.

Benefícios da localização nos apps

Para manter a relevância do banco nos novos canais de distribuição como os apps, a localização oferece dois benefícios importantes: permite continuar a gerar confiança e facilita a hiperpersonalização da experiência financeira.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o US Bank oferece a funcionalidade de localização para seus clientes que possuem cartões de crédito e desejam utilizá-los fora do território nacional, aumentando o nível de segurança nas transações e a tranquilidade dos usuários.

Esta solução permite que a localização de uma transação com cartão corresponda à do telefone do usuário. Depois que o local é aprovado, o banco ajuda a garantir que as transações sejam realizadas, minimizando as interrupções e reduzindo o risco de fraudes.

No México, desde março, os usuários que desejam realizar transações por meio dos canais digitais devem aprovar o acesso de suas instituições bancárias às suas localizações, como medida que visa prevenir a lavagem de dinheiro, o financiamento do terrorismo e as fraudes.

A medida se baseia na criação de padrões de consumo dos usuários que, quando alterados significativamente, podem disparar alarmes dentro das instituições.

Com respeito à utilização — sempre autorizada — dos dados recolhidos através da geolocalização, também podem ser obtidas informações transacionais, para disponibilizar promoções e serviços aos consumidores no momento e local adequados.

Se um cliente usa rotineiramente sua wallet ou aplicativo para pagar o consumo de combustível no mesmo posto, o banco pode aproveitar este tipo de informação e apostar em uma notificação de desconto para o próximo abastecimento.

Como podemos perceber, estes padrões servem à entidade para aproximar as opções de produtos à vida do usuário — desde notificações transacionais até a venda de produtos financeiros voltados especificamente para nichos de consumo.

Dessa forma, os clientes têm muito mais probabilidade de responder a anúncios ou produtos desenvolvidos especialmente para eles.

Considerações prévias para a geolocalização nos apps bancários

Uma vez reconhecidas a importância e as vantagens da localização de aplicativos para as instituições financeiras, é ideal traçar um plano de como adaptar a solução à oferta de valor digital.

Algumas considerações preliminares incluem um exame muito detalhado da personalização do idioma. As notificações ou produtos a serem divulgados por meio de um local devem ser compatíveis com o ambiente cultural do público.

Sabe-se que 47% dos usuários de aplicativos desejam consumir conteúdos em seus aplicativos, relacionados às suas localizações, de acordo com um relatório recente da Skyhook, um provedor de tecnologia de geolocalização.

Da mesma forma, é fundamental mitigar as preocupações com a privacidade. Devido a questões regulatórias, os aplicativos devem solicitar o consentimento dos usuários para compartilharem suas localizações.

No entanto, é sempre bom lembrar que seus dados estão protegidos e não podem ser compartilhados com terceiros sem autorização prévia. É preciso ressaltar, também, que eles servirão para oferecer produtos adaptados às suas necessidades, além de blindar suas operações.

A boa notícia é que os consumidores parecem reagir bem a ofertas e promoções. Quase metade dos usuários móveis pesquisam cupons e ofertas relevantes, de acordo com o mesmo relatório da Skyhook. Claramente, o uso inteligente da localização equilibra segurança, personalização e conveniência para os clientes.

Andy Tran