As instituições financeiras que apostam em estratégias digitais nativas chegarão a um ponto de inflexão, segundo Chris Skinner, especialista em transformação digital do setor

A evolução das finanças digitais é um dado adquirido para o setor bancário, mas existe um      selo distintivo entre aqueles que terão sucesso e aqueles que      fracassarão na experiência, afirma Chris Skinner, especialista em transformação digital financeira.

Para o especialista, há uma dicotomia entre aqueles bancos que adquirem tecnologia, mas mantêm mentalidades tradicionais de negócios, e aqueles que realmente apostam em uma mudança profunda de estratégia e core.

“A mentalidade da maioria das instituições tradicionais é evoluir seus negócios existentes para o mundo das redes, ao passo que, na realidade, o que eles deveriam fazer é reinventar seus negócios para abraçar o mundo das redes”, diz Skinner no Banking (Remix), o novo podcast da Veritran.

De acordo com o autor, algumas práticas recentes de transformação      – como a migração de dados de sistemas legados para a nuvem bancária – não serão significativas para a indústria, se permanecerem em simples mudanças de negócios tradicionais para um novo espaço de operações. Nesse sentido, ele destaca: “O que eles deveriam ter feito é repensar o modelo de negócios do banco para ser nativo para a nuvem, ser embalado na nuvem e permanecer na nuvem.”    

Embora a pandemia tenha acelerado a transição online das finanças, hoje muitas instituições ainda estão juntando esforços para continuar remotamente disponíveis para seus clientes. No entanto, o ajuste fino de processos ou operações não é mais suficiente.

Agora, as instituições terão que apostar na digitalização nativa, fato que marcará a validade entre os players.      “Os bancos que se tornaram digitais estão se convertendo em nativos digitais;      e os bancos que não tiveram sucesso estão se tornando migrantes digitais”, comenta Skinner     .

O migrante digital é a instituição financeira que não nasceu na era da Internet, enquanto os nativos digitais o são. Partindo dessa premissa, o especialista destaca que o valor de longo prazo será definido por ter um modelo de negócio digital nativo, independente da idade cronológica da instituição.

 “Você se adaptou a ser um nativo digital? Se não o fez, você está se extinguindo, porque  você realmente não vai conseguir lidar com clientes que vivem continuamente na rede”, afirma.

Líderes como uma frente de mudança

A visão de transformação não deve apenas compreender a adoção das tendências digitais como complemento do negócio, mas como o próprio cerne da empresa. E essa nova abordagem estrutural também requer uma direção estratégica de capitania para ser efetivamente executável.

Embora os bancos tenham uma equipe de liderança executiva com experiências profissionais em compliance e risco, regulamentação, contabilidade, entre outros, essas áreas também devem ser equilibradas com os novos papéis digitais que a transformação exige.

“O equilíbrio tem que ser entre os dois, porque não pode ser um banco digital, se só tem banqueiros que dirigem o banco. Portanto, você precisa ter pessoas que sejam realmente boas no âmbito digital para equilibrar, tanto no conselho de administração quanto na equipe de liderança executiva”, explica Skinner.

Por fim, segundo o especialista, todas essas novas abordagens não são práticas lapidares para o setor financeiro tradicional, mas movimentos que vão impulsionar a transformação bancária mais rapidamente.

“Não acho que [os bancos] vão desaparecer. Eu acredito que eles continuarão a existir nos próximos séculos. Eles não serão desintegrados, interrompidos ou destruídos pela tecnologia. Eles vão evoluir e se adaptar.    

Apesar disso, Skinner não subestima a importância da digitalização “correta” das finanças para continuar oferecendo valor no mercado.

“Não é uma grande surpresa ver que as empresas mais valiosas do mundo hoje são empresas verdadeiramente digitais. E os que mais perderam valor no último ano são os verdadeiramente físicos”, considera.

Esses e outros comentários foram compartilhados por Chris Skinner no Banking (Remix), o novo podcast da Veritran, que convida os líderes em finanças digitais a compartilhar estratégias e perspectivas sobre o futuro da indústria.

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Andy Tran